Antes de propor uma solução, confirme o que você ouviu

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Alguém traz uma dificuldade. Você reconhece o assunto e já começa a pensar no que faria. Quando chega a sua vez de falar, a solução está pronta. A questão é saber se ela responde ao que a pessoa tentou dizer.

Antes de orientar, propor ou decidir, vale confirmar o que você ouviu. Uma pergunta curta pode revelar uma informação que ainda faltava na conversa.

Peça um exemplo antes de interpretar

Imagine uma conversa de equipe. Uma pessoa diz: “Estou com dificuldade para acompanhar esse projeto”. Essa frase pode se referir ao volume de tarefas, às mudanças de prioridade ou à falta de uma informação. Ainda não dá para escolher uma resposta.

Em vez de completar a história, pergunte: “Em que momento isso fica mais difícil? Pode me dar um exemplo recente?”

Deixe a pessoa terminar. Se surgir uma dúvida, anote uma palavra para retomá-la depois. Assim, você pode prestar atenção à resposta sem tentar guardar uma sequência de perguntas na cabeça.

Diga o que entendeu e dê espaço para correção

Depois do exemplo, devolva uma síntese curta: “Pelo que entendi, a prioridade mudou duas vezes e você ficou sem saber qual entrega vinha primeiro. É isso?”

A pessoa pode confirmar, acrescentar um detalhe ou dizer que você entendeu outra coisa. Receba essa correção antes de defender sua leitura. A pergunta só ajuda quando a resposta tem espaço para mudar o rumo da conversa.

Se você ainda não entendeu, diga. “Quero conferir uma parte: a dúvida era sobre o prazo ou sobre quem deveria aprovar?” É mais claro do que seguir adiante com uma conclusão que ninguém confirmou.

Entenda que tipo de ajuda cabe ali

Nem toda conversa pede uma solução imediata. A pessoa pode precisar organizar uma ideia, receber uma informação, discutir alternativas ou pedir uma decisão que depende de você.

Experimente perguntar: “O que seria útil resolvermos nesta conversa?”

Essa pergunta também permite dizer com clareza o que está ao seu alcance. Se você não pode decidir naquele momento, explique o que falta e quando consegue retomar. Evite prometer uma resposta só para encerrar o assunto.

Feche com um combinado que os dois consigam explicar

Volte ao exemplo do projeto. Se a dificuldade era entender a prioridade, um combinado possível seria: “Vou confirmar hoje qual entrega vem primeiro. Amanhã, às 10h, revisamos a ordem das tarefas por quinze minutos”.

Nomeie a ação, quem a assume e quando a conversa continua. Os dois precisam conseguir explicar o que ficou combinado.

Antes de encerrar, confira: “Ficou alguma dúvida sobre o que combinamos?” Se houver, ajuste ali. Depois, registre apenas o necessário para que o acordo possa ser consultado.

Uma prática para a próxima reunião

Escolha uma conversa em que você costuma responder rápido. Nela, faça três movimentos:

  1. Peça um exemplo concreto do que a pessoa está trazendo.
  2. Resuma o que entendeu e espere a confirmação ou a correção.
  3. Defina com ela o próximo passo possível.

Ao final, observe se alguma informação mudou a resposta que você daria no começo. Esse detalhe mostra onde a escuta entrou na sua decisão.

Nos workshops para lideranças e equipes, Pilar propõe a prática de conversas e a discussão de escolhas. Se este é um desafio da sua equipe, conte o contexto e o que precisa acontecer depois do encontro.